sábado, 30 de maio de 2009

Spin


Voltamos ao princípio é o que te digo. E tu acrescentas certezas em que nunca pensaste senão neste preciso momento: voltamos a apaixonar-nos. Uma e outra vez. Depois de tudo e mais ainda, deitados ao fundo pelo outro que nos sabe de cor as coordenadas, destruídas as noites, desenfeitados os dias e é isto. Tréguas sôfregas e atabalhoadas, com a voz aos soluços e o corpo procurando de novo a luz.
Mas perco-me nas contas. Deixa lá isso, dizes. Pois sim, culpa da fome que me tens, que não interessa porque não faz diferença nenhuma. Mas quantas vezes foram. Não te pergunto descansa. Também eu tenho a sede para matar. Por agora.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A Terapia a funcionar...

“Guardiola alcançou a perfeição.” A frase, depois do jogo do Barcelona com o Manchester United, é de Johan Cruyff, antigo treinador dos catalães e de Pep.

Digamos que já tinha percebido...

terça-feira, 19 de maio de 2009

Usem filtro solar!

O elefante que jogava Mikado

Tenho uma aula de dança. E ocorrem-lhe bailarinos em pontas atravessando o palco e logo a seguir em jeito de enorme compensação os mesmos bailarinos segurando nos braços os corpos de bailarinas formato pluma. Ah tens? Sim, mas volto. E de novo irrequieta, desta vez no campo, em frente à baliza, de olhos fixos nuns gémeos, coxas, glúteos e finalmente golo, concretizando a masculinidade. Ele terá uma aula de dança. Ela ficará por hora a dançar entre figuras estereotipadas, pouco dadas a inflexões da forma, muito menos do conteúdo. Há momentos cruciais em que uma informação descontextualizada e mal entendida pode significar o ruir do jogo todo. Como um Mikado dos sentidos. Demasiado sensível nas mãos de jogadores que desconhecendo o adversário, lhe provocam tremor no lugar de serenidade, sendo que neste caso, ambos perdem, se perdem.
Aguentou-se por ali, entre papéis e fotografias antigas, captando pormenores que lhe haviam escapado e agora lhe derrubavam certezas. Ora, ora. E perceber finalmente que terá razão quando diz que não aprendemos nada, que os erros serão sempre os mesmos e mais alguns e pior que isso, aquele elefante reduzido a formiga, apenas dorme até ao dia. Pois aguentou, de certa forma esteve a preparar-se para a festa de um funeral.
Estás aí? Que fazes? Quase nada dirá. Porque não se pode dizer que haja muito para contar. Quem não chegou já às mesmas conclusões? It’s life. Next. Levantem-se os elefantes que a sua hora chegou.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terapia proposta

Tangobar Dances Gotan Project (www.videotango.net)

Até saber de cor!
Até fartar!

Tango e Mousse de chocolate

Por mais que o tempo lhe mostrasse destroços dessas escolhas e a memória traiçoeira lhe despejasse no estômago aquela dor contorcida, ainda assim estava a deixar-se ir. O rigor do Tango anunciado, o corpo da dança, o ritmo no corpo, e as palavras todas a fazerem todo o sentido. Como se aquela fosse a primeira vez e ainda assim já se conhecessem de cor. Espantas-me miúda! Podia ser Física Quântica que o resultado era o mesmo, pensou. Esse tempo, não lhe roubara a miúda mas permitia-lhe agora reconhecer-se de capacidades incomuns (?). Porquê? E a resposta não tardaria, certeira a bater-lhe no Ego e a desfazê-lo também. Porque se pudesse escolher não saberia. Se pudesse, escolheria conhecer-se apenas à superfície. Aí, onde a pele se queima, mais nada. E que a onda de calor seguisse o seu caminho, um qualquer. Preferia não saber por onde se estende até morrer. Assentou de novo. Rodou sobre o próprio corpo e fez do gesto um rewind. Deixa lá isso. E de novo as palavras como elos, catadupas delas ou silêncios a espaços cadenciados. Não te importas pois não? Sinto que não. Pois. E nessa bebedeira dos sentidos se perdeu.

Conheciam-se há ano e meio mais coisa menos coisa. Meia dúzia de dias de poucas horas, um par de vezes que os olhos tropeçaram nos outros e dois ou três beijos depositados à pressa nas faces encostadas. Um perfume. Um vestido. Um jeito de abotoar os ténis ao filho. Um segredo guardado na cozinha, junto com a mousse marcada pelos dedos dos dois. Nada mais.
E agora isto. Intenções que os comprometem mas não enviarão para o inferno. Desculpa, não previ. Sim, eu sei. E ainda assim, sentam-se em frente um do outro. Prontos. Olham-se. Não demoram porque é difícil, mas descobrem vontade de o conseguir. Devagar, avançam no trivial que lhes ocorre. Tem umas mãos bonitas. Ficam-lhe bem no cabelo. E o tempo gasta-se nas palavras incertas porque ele não sabe reconhecer-lhe a tempestade ali, no fundo dos olhos. E o sorriso dela dispersa-se na medida do espaço que ocupam. Em que pensas? Tango. Não há despropósitos e não haverá arrependimentos. E nessa certeza se encontrou.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Trauma 325

Josep Guardiola. Treinador do Barça.


O meu clube não é Tetracampeão e eu não percebo nada de futebol!

Terapia proposta:

Prestar mais atenção ao campeonato de outro país qualquer!

(Só para me distrair, claro!)